"Noite sem Lua", Steinbeck
"São sempre os homens de rebanho que ganham as batalhas e os homens livres que vencem as guerras" : 174
título original: "The moon is down"
editado pela Ulisseia em 1955, passando despercebido à censura
Sobre o processo criativo e assuntos afins
"Noite sem Lua", Steinbeck
"São sempre os homens de rebanho que ganham as batalhas e os homens livres que vencem as guerras" : 174
título original: "The moon is down"
editado pela Ulisseia em 1955, passando despercebido à censura
"Ódio à civilização moderna", William Morris
"Acabar com a competição e construir a cooperação, eis aqui a nossa única necessidade"
"o ócio em si conceder-me-ia não apenas o prazer, mas também me permitiria expandir a mente ao viajar"
"os empresários com fins lucrativos não são uma necessidade para o mundo laboral, mas um obstáculo"
"tornou-se um artigo de fé da moralidade moderna presumir que todo o trabalho é bom em si mesmo, uma crença oportuna para aqueles que vivem do trabalho dos outros"
"olhando com aversão para a ideia de um povo eleito"
"o fim, a queda da Europa, poderá demorar a chegar, mas quando chegar, será muito mais terrível, muito mais caótica e cheia de sofrimento do que o período da queda de Roma":172
William Morris fundou em 1877 (em 1861 funda juntamente com seis personalidades, a empresa de Artes Decorativas - A Firma ) a Sociedade para a Proteção de Edifícios Antigos, a ANTI-SCRAPE, "para se opor à descaracterização e degradação estética dos edifícios antigos na Inglaterra vitoriana (...)":165
"Manhã e noite", Jon Fosse
:109 "Agora não deverás olhar em volta, Johannes, diz Peter
Agora deverás olhar apenas para o céu e escutar as ondas, diz ele"
Sobre a passagem, sobre isto, sobre estar no fim, sobre respirar e atravessar a ponte para o rio do esquecimento. Poesia.
"Morte aos feios" , Vernon Sullivan
Em 1818, Mary Shelley escreve Frankenstein, durante uma estadia junto ao lago Leman. E em boa companhia, há que referir. O tempo também ajudou, o super vulcão melhor dizendo. Em 1932, é publicado o Brave New World , de Aldous Huxley. Em 1948, Boris Vian escreve este romance polícial com laivos de ficção científica, uma versão moderna e distópica de um novo mundo. Traduzido por A. Sabler. Leitura descontraída deste verão de chumbo.
"Vita Contemplativa", de Byung -Chul Han
:19 sobre a importância da inatividade para abrir portas às memórias involuntárias, às epifanias.
"(...) o atual ruído da informação e da comunicação põe fim à "sociedade dos que escutam""
:25, 26, 27 e 28
Sem o tédio nada acontece
"Que alívio é não ter nada para dizer"
"O espírito livre está em extinção"
"Como falta o tempo para pensar e manter o pensamento em repouso, já não se ponderam as opiniões divergentes: as pessoas contentam-se com odiá-las"
Na poesia " a linguagem repousa em si mesma, contempla a sua capacidade de dizer e, deste modo, abre novas possibilidades de uso"
A linguagem está a perder o esplendor.
Estamos a viver uma crise de comunicação.
"O ruído da comunicação perturba o silêncio"
"Só a inatividade nos introduz no mistério da vida"
:48
"A coação da atividade, da produção e do desempenho leva à falta de ar. O ser humano sufoca nas suas próprias ações"
:53
"A salvação da Terra depende de virmos a ser capazes de escutar a Terra" (sobre Heidegger)
:58
"Sem a ordem simbólica, continuamos a ser pedaços quebrados e fragmentos"
:59
"O capital é alimentado pela ilusão de que mais capital produz mais vida, mais riqueza para viver. Mas esta vida é uma vida nua, uma sobrevivência"
:69
"A liberdade de expressão e o falar verdade (parrhesia) são perigosos na Pólis. Quem disser a verdade por motivos nobres e, assim, se opuser à vontade da multidão, corre o risco de ser morto"
:74 "Ziegler escreve...uma criança que morre de fome é assassinada"
:79 "A digitalização dá origem ao regime da informação, cuja psicopolítica vigia e controla as ações por meio de algoritmos e de inteligência artificial"
:80 Já há muito deixámos a sociedade industrial de massas. No regime neoliberal, ela transforma-se numa meritocracia. Agora, competimos para aumentar o desempenho. O regime neoliberal não é repressivo. Pelo contrário, o domínio assume uma forma smart e manifesta-se como um apelo permanente a mais desempenho. Esta coação subtil para o desempenho é fatalmente interpretada como um aumento da liberdade. Hoje, exploramo-nos por vontade própria, convencidos de que nos realizamos.. Entregamo-nos ao culto, à veneração do eu, no qual cada um é sacerdote de si mesmo. (...)"
:90 O ateísmo não exclui a religião. Para Schleiermacher, a religião é perfeitamente concebível mesmo sem Deus"
Bohumil Hrabal, "Uma solidão demasiado ruidosa"
Um livro que descreve uma obsessão Kafkiana. Como um transtorno que se adquire. Escatológico.
Deve ser muito difícil escrever e não fumar. Não encontrei nenhuma imagem do autor a consumir nicotina.
"Hemingway por ele próprio", G.-A. Astre; trad. João Gaspar Simões
"Acreditar nas feras", Nastassja Martin
Em tempos idos muito longe do agora, os vínculos entre humanos e entre humanos e outras naturezas animais, suas linguagens e seus símbolos, eram tremendamente fortes. Hoje, alguns povos ainda vivem essa experiência de comunicação permanecendo conectados. Neste livro, uma antropóloga escreve sobre a sua longa experiência numa muito remota Sibéria.
:31 "Quando estão a tomar o chá a meio da tarde, Ivan cai de costas e perde os sentidos (...)Aconteceu qualquer coisa à Nastia, diz."
:33"escrevo porque estou profundamente afetada
:40 Ni nado plakat Nastia ( Não chores, Nastia)
:91 "No fundo das florestas geladas, não "encontramos" respostas: aprendemos antes de mais a suspender o raciocínio e a deixar-nos levar pelo ritmo, o ritmo da vida que se organiza para que permaneçamos vivos numa floresta no inverno."
"O Adeus às Armas" , Ernest Hemingway
(n. 1899)
Um dos mestres da escrita transparente (escreve este livro ainda sem ter completado os 30 anos!). Fácil de ler e compreender, sem mensagens ocultas, sem segundos sentidos, livre, eficaz, atual.
Primeira guerra mundial, em Itália, um condutor de ambulância que gosta de beber, uma bonita enfermeira inglesa. Um diário de guerra (do autor) transformado em romance.
As descrições poéticas da paisagem são sempre momentos de contemplação e reflexão que acompanham a narração:
"(...) para lá da planície as montanhas erguiam-se escuras e nuas."
"A floresta de carvalhos na montanha para lá da cidade desaparecera".
"Avistámos a cidade sob um manto de névoa que ocultava as montanhas."
"Kokoro", Natsume Soseki
"(...) o termo "coração" é igualmente polissémico, vai muito além do orgão central da circulação sanguínea. O kokoro japonês é também assim , e designa ao mesmo tempo os conceitos de afeição, espírito , coração, determinação, sentimento e até cerne das coisas. É essa amálgama que o leitor deve ler na palavra "coração" e que também serve a elevada complexidade psicológica desta obra. O nosso "coração" também é mais do que parece e tal veio-nos já da Antiguidade.(...)o português medieval tinha o termo cor, ou seja, coração, que nos veio do latim cor, cordis".
(in notas do tradutor)
Sōseki in 1896
“La Mala Reputación - Fronteras entre la literatura delincuente y libertaria en España y Francia”, por M. Sarró “Mutis”
Uma compilação exaustiva acerca de personalidades francesas e espanholas como escritores anarquistas ou ladrões de bancos com fortes convicções políticas, entre muitos outros. Homens e mulheres que ousaram desafiar uma sociedade estratificada, acabando por viver parte da sua vida encarcerados ou escapando às autoridades. Miguel Sarró começa com Cervantes. É um livro que fala e refere outros livros sobre esses contestadores. Para quem se interessa sobre condenados e desertores de boa safra aconselho este belíssimo "catálogo" que oferece também ilustrações do autor.
“Do desaparecimento dos Rituais “ , Byung-Chul Han
O poético não produz. É um ato simbólico.
O ritual permite a proximidade à comunidade.
A pertença ao lugar. A repetição é um anti-depressivo.
"Elas não dão por ela", Vernon Sullivan
"Talvez deva apresentar-me. Francis Deacon, saído de Harvard (mas foi sem querer) , provido de um papá particularmente fino e de uma mamã extra decorativa. Vinte e cinco anos - aparentemente dezassete - , más companhias: boxeurs, beberrões, brigões e belas damas que se amam por dinheiro, excelente partido. Nada mau tipo. Horror aos intelectuais. Mais do género desportivo. Desportos suaves: judo, catch, regatas, um pouco de remo, esqui, etc.. Ar lingrinhas - setenta e cinco quilos e cinquenta e seis centímetros de cintura."
"Histórias Bizarras", de Olga Tokarczuk
"No ano de 1629, ainda existia o escritório de adoção de santos e, para aperfeiçoar o seu trabalho, os escrivães já recorriam a tabelas e listas que os ajudavam nas descrições. A ideia era não repetir com muita frequência os mesmos métodos de tortura, tipos de morte, circunstâncias, nomes e atributos.":162
"Jesusalém", Mia Couto
Com prefácio de Miguel Real do qual destaco dois excertos:
"(...) Saramago ostenta os bloqueios sociais, geradores de situações absurdas, satíricas e até surrealistas. Agustina acentua a decadência de uma sociedade enfatizando a decadência da Casa (indícios de ruínas nos solares e casarões do Douro)e a desagregação da Família (partilhas , hipocrisia, intrigas de sangue...). Gonçalo M. Tavares exalta aspetos de violência individual e social sem sentido, de desorientação esquizoide da personalidade das personagens. Rui Nunes, mas também Hélia Correia e, até, algum Lobo Antunes, utilizam um léxico próprio da degradação, da decadência, da assunção de valores da negatividade e do aviltamento. Assim o faz igualmente Mia Couto, marcando a atmosfera social e a personalidade individual das personagens com um universo lexical característico da decrepitude, da caducidade, da decadência, do esboroamento, da ruína, isto é, da putrefação e da abjeção."
"Um dos pouquíssimos romances eternos publicados no pós - 25 de Abril, que merece ser saboreado lentamente, em cada página, isto é, como se cada página fosse um romance por inteiro".
"O diário de Edith" de Patricia Highsmith
A escritora cita Thomas Paine que já no século dezoito escreve assim: "a tirania, como o Inferno, não se vence facilmente"
"Raparigas de província", de Edna O'Brien"
A minha estreia na leitura da escritora irlandesa.
"A casa e o mundo", R. Tagore
Romance que se desenvolve durante o período ativo do Movimento Swadeshi, movimento de luta contra o Império Britânico, nomeadamente contra as suas políticas económicas. "Foi formalmente iniciado em Calcutá em 1905 para boicotar os produtos estrangeiros e apoiar a produção indiana".
"Contra o fanatismo", Amos Oz